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Paulo Eduardo Nunes Campelo - Doctoralia.com.br

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O que vem primeiro: depressão ou obesidade?

 A obesidade e a depressão, embora sejam problemas distintos, estão intensamente relacionados. Consegue-se notar uma ligação entre elas ao observar a situaçao de quem as possui. Pessoas depressivas têm maior pré-disposição para terem ansiedade e esse quadro pode levar a pessoa a comer mais.
Outro aspecto são os efeitos colaterais dos medicamentos antidepressivos, que muitas vezes engordam. Também consegue-se ver que muitas pessoas obesas têm problemas de autoestima e aceitação social, o que as leva ao estado depressivo. E existem outros dados que mostram como essa relação é mais profunda.
 
Um estudo recente apresentado na revista Jama Psychiatry demonstra que a depressão e obesidade correlacionam-se bidirecionalmente. Isso significa dizer que pessoas com excesso de peso têm mais chances de desenvolver depressão, assim como pessoas com depressão têm mais chances de se tornarem obesas. Não dá para pontuarmos qual das duas se inicia primeiro. Cada caso é um caso. Porém, conseguimos entender quais são alguns fatores dessas correlações.
Em ambas as situações, encontramos um organismo com status inflamatório bastante aumentado. Os estudos também relatam uma flora intestinal alterada. E o alívio encontrado na comida por quem sofre de depressão e a culpa que a comida gera em quem sofre de obesidade gera um círculo vicioso.
 
Outro artigo publicado na revista JAMA Psychiatry, é feito um estudo que relaciona fatores genéticos entre obesidade e transtornos depressivos. Nesse verificou-se que é crescente o número de pessoas deprimidas que também apresentam problemas metabólicos, como diabetes tipo 2 ou excesso de peso, e vice-versa. O fato é que os pacientes com obesidade têm uma elevada prevalência de doenças mentais, assim como pacientes depressivos de desenvolver obesidade.
 
Infelizmente, muitos pacientes com excesso de peso não têm acesso às informações necessárias para buscar ajuda e cuidar também da saúde mental. Outros encaram a sua doença como unifatorial, relacionada à nutrição ou alterações hormonais somente. Mas estamos todos caminhando para obter mais conhecimento e aprimorar o padrão de tratamento contra a obesidade. Sabemos muito bem que esse é um trabalho feito em conjunto, com diversos profissionais especializados. Por isso, devemos sempre buscar respostas para entender o que está realmente levando alguém a desenvolver a obesidade.