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Paulo Eduardo Nunes Campelo - Doctoralia.com.br

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Até quando o medo vai lhe impedir de ter uma vida melhor?

 

A história da Cléa* com a obesidade começou ainda na infância. Por estar sempre acima do peso, mesmo sendo bem ativa nos jogos e brincadeiras sofria com o bullying e sua mãe não descuidava no acompanhamento com a pediatra.
Na adolescência quando cresceu e seu corpo se desenvolveu a obesidade ficou “mais escondida”, mas já na faculdade por adotar uma vida mais sedentária voltou a ganhar mais peso. Lembra que pesava algo em torno dos 86 quilos nessa época.
Veio a formatura, primeiro emprego e a liberdade de sair de casa. Disse que em casa tinha muito controle da alimentação por parte dos pais e que mesmo com esse cuidado estava mais pesada de um ano para o outro. Com a saída de casa ganhou mais opções alimentares, mas como morava só, optava sempre pelo mais prático, pelos embutidos e fast-food. Associado ao stress do trabalho e sedentarismo observou as roupas, mesmo de numeração grande ficarem cada vez mais justas.
Tentava aos finais de semana praticar exercícios para compensar, mas sentia-se muito cansada, além de dores nos joelhos e coluna. Depois de passar mal quando tentou correr na praia resolveu procurar ajuda médica por indicação de uma colega de trabalho.
Ao realizar consultas e um verdadeiro check-up, teve vários diagnósticos, os piores foram, pré-diabetes, pressão alta e condromalácia patelar. A balança atingia os 90 quilos. Disse que ficou muito chocada com os resultados, pois teve que começar a tomar medicamentos que seus pais ainda não tomavam, mas sobretudo precisava controlar o peso.
Iniciou a tomar remédios para o controle do peso, da pressão arterial e melhorar a glicemia. Além disso foi indicado acompanhamento com nutricionista. Disse pra si mesmo que iria encarar o tratamento com seriedade, o susto na praia, deixou-a com medo. Foi indicado também iniciar atividades físicas, mas não conseguia realizar por falta de tempo.
Foi promovida no trabalho, ganhou mais responsabilidade profissional e passou a ter ainda menos tempo para cuidar bem da alimentação, mesmo com o acompanhamento nutricional. Medicamentos não deixava de tomar, mas os exercícios físicos nem aos finais de semana conseguia fazer.
Com a pandemia passou a trabalhar home office, o sedentarismo só aumentou, acompanhado pelo ansiedade e pela obesidade foi quando superou os 3 dígitos na balança nesse período, apesar de manter o uso dos medicamentos.
Um dia resolveu calcular seu IMC depois das notícias veiculadas em telejornais de casos mais graves da Covid-19 em pacientes com obesidade. Um novo susto. Estava com 41,5kg/m2 de IMC, obesidade mórbida. Ficou ainda mais “presa em casa” com medo de se contaminar.
Agora já vacinada, mas ainda com medo, da Covid-19, mas medo maior da obesidade que está acompanhada de comorbidades que estão dificultando pequenas tarefas diárias do seu cotidiano.
Já são mais de 20 anos com obesidade e o corpo na idade adulta começou a sinalizar que precisa de um tratamento mais efetivo.
Precisava fazer os exames e retornar na data marcada. Fez os exames, mas no dia da consulta de retorno informou que sua mãe havia pedido para não operar por medo da cirurgia e que por isso havia desistido do tratamento.
Espero que ela tenha pelo menos continuado o tratamento medicamentoso para controlar as comorbidades e que um dia esse medo seja superado e o melhor tratamento possa ser realizado para Cléa* *nome fictício para preservar a identidade da paciente.