Cálculo, tumor ou pólipo da vesícula?

Sobre pólipo de vesícula, tumor e cálculo

O termo pólipo é frequentemente utilizado para classificar uma lesão polipóide da vesícula biliar. Por definição pólipo é um tumor benigno pediculado, que pode ser originário de um processo inflamatório ou decorrente de uma lesão degenerativa que ocorre em superfícies mucosas. A lesão polipóide define uma projeção que ocorre na parede de um órgão cuja estrutura histológica (tecido) ainda não é definida, pois os exames disponíveis pré-operatoriamente não permitem esse diagnóstico antes da realização do exame histopatológico (biópsia).

As lesões polipóides da vesícula biliar podem ser “pólipos verdadeiros”, ou seja tumores e dessa forma merecem tratamento como tal. Entretanto, existem outros diagnósticos que devem ser considerados antes de indicar uma cirurgia que pode vir a ser desnecessária.O conteúdo da vesícula biliar é a bile , que é composta de sais e pigmentos biliares (bilirrubina), colesterol, fosfolipídeos, eletrólitos e água. Então, é uma solução que por diversos fatores pode ter a sua capacidade de solubilidade alterada concorrendo para a formação de cálculos biliares, também conhecida como colecistolitíase, colelitíase e popularmente como pedra na vesícula. Além da composição, a motilidade da vesícula e a produção de muco pelas células epiteliais de seu interior também estão implicadas na formação desses cálculos.

Esse diagnóstico acomete cerca de 10% da populacão mundial chegando a atingir até 40% da populacão na sétima década de vida, sempre sendo mais incidente no sexo feminino que no masculino. A suspeita de qualquer uma dessas três doenças: cálculo, tumor ou pólipo davesícula indica a realização de ultrassonografia abdominal (ecografia). Esse exame que pode atingir precisão de até 99%, é muito sensível e específico para o diagnóstico de litíase biliar, sendo o principal recurso terapêutico do cirurgião para indicar o tratamento cirúrgico. A colelitíase requer tratamento cirúrgico e, rotineiramente, deve ser realizada por videolaparoscopia.

Quando a colelitíase é assintomática alguns profissionais ainda insistem em não indicar a cirurgia, porém se baseiam em critérios agravantes de acordo com o perfil do paciente como: idade abaixo de 30 anos, pessoas diabéticas, mulheres com risco de gestação e critérios relacionados aos achados da ultrassonografia abdominal que são: vesícula em porcelana, associação com lesão polipóide e cálculos maiores de 3 cm.

Somos de acordo em indicar a colecistectomia videolaparoscópica para todos os pacientes diagnósticados com calculose de vesícula biliar, pois a sintomatologia não se refere somente a dor. A indigestão definida como plenitude pós- prandial (alimentação), as náuseas pós-alimentares e, por vezes, os vômitos são sintomas frequentes que não devem ser negligenciados. Quando avaliamos as complicações da migração do cálculo vesicular pela vias biliares ocasionando coledocolitíase, colangite, pancreatite biliar ou fístula biliar, ou mesmo, quando ocorre o processo inflamatório da vesícula biliar, denominado colecistite aguda, temos a opinião de que o tratamento cirúrgico deve ser indicado para a grande maioria dos casos de colelitíase. No entanto, salientamos que o paciente deve passar por uma avaliação clínica criteriosa, pois a cirurgia realizada eletivamente tem índices de complicação e mortalidade inferiores a 0,5%.